A Arbitragem Tributária como Mecanismo de Justiça em Portugal

A Arbitragem Tributária como Mecanismo de Justiça em Portugal

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language Portuguese
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  • Arbitragem Tributária
  • Justiça Tributária
  • Resolução de Litígios

summary

I. Introdução à Arbitragem Tributária

A arbitragem tributária em Portugal surge como uma resposta às deficiências do sistema judicial tradicional, especialmente no que diz respeito à morosidade e à complexidade das questões tributárias. O legislador, ao aprovar o Decreto-Lei n.º 10/2011, de 20 de janeiro, estabeleceu um novo paradigma para a resolução de litígios fiscais, visando não apenas a celeridade, mas também a proteção dos direitos dos contribuintes. A justiça tributária é, portanto, um tema central, refletindo a necessidade de um sistema que assegure decisões justas e rápidas. A implementação da arbitragem representa uma tentativa de aliviar a carga dos tribunais administrativos e fiscais, que enfrentam um elevado número de pendências processuais. A criação de um ambiente mais eficiente para a resolução de conflitos tributários é essencial para garantir a confiança dos cidadãos no sistema fiscal e na administração pública.

II. Estrutura e Funcionamento da Arbitragem Tributária

O Regime Jurídico da Arbitragem em Matéria Tributária (RJAT) estabelece as bases para a atuação dos árbitros, que devem possuir uma sólida formação e experiência na área do direito tributário. O artigo 7.º do RJAT destaca que os árbitros devem ser juristas com pelo menos 10 anos de experiência, garantindo assim que as decisões sejam tomadas por profissionais qualificados. Essa exigência é crucial, pois a complexidade das matérias tributárias requer um conhecimento técnico aprofundado. Além disso, a publicidade das decisões arbitrais é uma inovação que visa aumentar a transparência e a confiança no sistema, permitindo que as partes e o público em geral acompanhem a legalidade e a imparcialidade das decisões. A possibilidade de recorrer ao Tribunal Constitucional em casos de inconstitucionalidade também reforça a proteção dos direitos dos contribuintes, assegurando que as decisões arbitrais estejam em conformidade com a Constituição.

III. Desafios e Limitações da Arbitragem Tributária

Apesar das vantagens da arbitragem tributária, existem desafios significativos que limitam sua eficácia. A falta de uma carreira de juízes tributários e a escassez de recursos humanos qualificados nos tribunais administrativos e fiscais são questões que afetam a implementação plena do sistema. Além disso, a indisponibilidade dos tributos impõe restrições à capacidade dos árbitros de decidir sobre certos litígios, uma vez que a legislação fiscal estabelece que os créditos tributários são indisponíveis. Essa limitação pode levar a uma situação em que os contribuintes não consigam obter uma resolução justa e rápida para suas disputas. A necessidade de uma maior clareza e flexibilidade nas normas que regem a arbitragem tributária é evidente, especialmente em um contexto onde a complexidade das questões fiscais continua a aumentar.

IV. Conclusão e Perspectivas Futuras

A arbitragem tributária representa um avanço significativo na busca por uma justiça fiscal mais eficiente e acessível em Portugal. No entanto, para que este sistema atinja seu pleno potencial, é necessário abordar as limitações existentes e promover uma maior integração entre os tribunais arbitrais e o sistema judicial tradicional. A formação contínua de árbitros e a revisão das normas que regem a arbitragem são passos essenciais para garantir que a justiça tributária seja não apenas rápida, mas também justa e equitativa. O futuro da arbitragem tributária em Portugal dependerá da capacidade do legislador e dos operadores do direito de adaptarem o sistema às necessidades em constante evolução da sociedade e do ambiente fiscal.

document reference

  • A Arbitragem tributária no ordenamento legal português (Tito Abrabtes de Oliveira)
  • Manual de Direito Constitucional (Jorge Bacelar Gouveia)
  • A Arbitragem em Direito Tributário (Lúcio Barbosa)
  • O Principio da Legalidade Fiscal. Tipicidade, Conceitos Jurídicos Indeterminados e Margem de Livre Apreciação (Ana Paula Dourado)
  • Primeiras reflexões sobre a lei de arbitragem em matéria tributária (Samuel Fernandes da Almeida)